Onze anos depois e “Gossip Girl” continua tão atual
Há exatos 11 anos, ia ao ar o
primeiro episódio de uma série que marcou uma geração. A história dos
adolescentes da elite de Manhattan, que eram atormentados por um blog de fofoca
anônimo, é adorada por milhares de pessoas até hoje. Estou falando de “Gossip
Girl”. E, apesar de ter assistido à série tardiamente, só vi na Netflix em
pleno 2016, eu me incluo na lista.
Que atire a primeira bolsa Channel
quem nunca sonhou em ter a vida de Blair Waldorf. Quem nunca amou e odiou
Serena Van der Woodsen, no mesmo episódio. Ou quem nunca quis ter um Nate
Archibald só para si. A verdade é que todos os personagens são extremamente
marcantes e cativam o público, pois
despertam todo amor e raiva. Eu, por exemplo, sinto uma imensa raiva pelo
conturbado Chuck Bass. Como já disse, só vi a série por agora, então todo seu
machismo e preconceito incomoda muito. Ele comete assédio e estupro, faz uma
garota aceitar um relacionamento abusivo e ainda não é fiel aos seus amigos. Por
sua vez, sou completamente apaixonado pela Blair, que também vive momento de
altos e baixos. A verdade é que nenhum personagem consegue passar intacto pelas
seis temporadas, ou seja, todos eles vivem o momento de problema, onde fazem
coisas erradas e pensam só em si mesmo. Logicamente do período entre 19 de
setembro de 2007 e 17 de dezembro de 2012, muita das coisas que a trama da
série exibe não era ruim. Ser misógino, como o Chuck, não era tão falado. Expor
a namorada na internet, como Dan Humphrey faz, não era tão escandaloso. Aliás,
a relação pessoa e internet, era totalmente diferente dos tempos de hoje. Todos
têm comportamentos extremamente fora do correto que, em pleno 2018, não dá para
fingir que a gente não está vendo. E pior ainda, não dá para aceitar. Mas ainda
assim, vale muito pena assistir e caso ainda não fez, pare de ler aqui, se é do
tipo que liga para spoiler, mais explícitos dos que já soltei até aqui.
O principal enredo de “Gossip Girl”, é o blog
que expõe todos os populares da escola e cidade. Sabemos que o blog trocou de
autor algumas vezes durante as seis temporadas. Mas o primeiro tópico que quero
lembrar é o criador de todo esse furdunço: Dan Humphrey. Inclusive esse é o
mistério que a série traz, só revelam que é Dan no último episódio, na
derradeira temporada. A história de Dan e Serena é uma graça até o momento em
que ele resolve expor a vida da ex-namorada, além de todos os seus amigos e
família, diga-se de passagem, em seu best-seller. Tudo bem que quem mandou o
tal do livro para a editora foi a Vanessa, a única personagem que nunca amei em
momento algum. Ela é desnecessária, mas enfim. A situação é que quando
descobrimos que Dan Humphrey, o garoto solitário com carinha de bom moço, era
na verdade a própria cobra em pele de cordeiro, o mundo cai. Quando ele explica
para os amigos, como tudo começou e o porquê, tudo parece fazer sentido. Mas, não
dá para não odiar um cara que expõe a garota por quem era apaixonado, as
situações mais tenebrosas, com a melhor amiga dela. Sem contar que ele expõe
também essa amiga, sua irmã, seu pai e diversos outros. Não tem como achar isso
tudo normal. O garoto era extremamente egoísta e empatia era uma palavra que
ele desconhecia. Só pensava em seu ego. Dan é louco, perturbado. Porém antes de
descobrir isso, torcemos por ele, em alguns momentos.
Falando na senhorita Van der Woodsen, um
tópico que não tem como não ser comentado é a amizade louca que ela tem com a miss Waldorf. Aquela relação era tudo
menos saudável. Serena e Blair vivem uma amizade estranha, que já começa errado
com uma pegando o namorado da outra. Elas brigavam o tempo inteiro. E não eram
briguinhas bobas. Perdi a conta de quantas vezes as duas quase saíram no tap e
uma armava para a outra constantemente. Mandavam dicas até para a tal “garota
do blog” sobre a vida da amiga, querendo assim expor a vida pessoal uma da
outra, quando não estavam contentes com a essa relação. Inclusive quando Serena
toma as rédeas do blog, ela vive falando sobre a vida de Blair. Bizarro demais.
Então, se esse é o conceito de amizade verdadeira, Deus me livre de ter uma
assim. Mas é óbvio que as duas conversavam muito, se entendiam na maioria das
vezes e tinham momentos fofos. Pois elas cresceram juntas, então o laço afetivo
era muito grande. E uma ajudou muito a outra durante as seis temporadas da
série. Entretanto, ainda assim, a relação das duas está longe de ser sadia.
E falando em relacionamento que não é sadio, é
o namoro de Blair e Chuck. Se a série fosse nos dias de hoje, ia ser um
rebuliço só, ou talvez, essa trama nem seria pensada assim. Ainda bem que
paramos de aceitar uma relação daquela como normal. Só para ter noção, o
spoiler é grande, mas o cara trocou a namorada dele por um hotel. Não tem como
achar normal. Fora ainda todas as vezes que Chuck foi absurdamente abusivo com
a Blair. Ele gritava com ela, traía, diminuía e chegou a machucar fisicamente a
menina quando soube do casamento com Louis. Grande parte do relacionamento
deles foi tenebrosa. Doentia de verdade. Foi só quando perdeu a menina de vez
que o Bass deu valor ao que tinha. Um ponto muito bom é a decisão da Blair de
não voltar com ele, enquanto não se tornasse a mulher poderosa que queria ser.
Ela sabia que o amava. Mas também sabia que ele a impedia de viver os próprios
sonhos e foi madura o suficiente para se colocar como prioridade na situação.
Amor próprio antes de qualquer coisa. Quando os dois voltam a se relacionar, já
com promessa de casamento, ela está mais segura de si e ele consciente de toda
merda que fez no passado. Isso mostra o amadurecimento de um casal e que ainda
podem dará volta por cima. Claro que não vamos julgar só o homem, apesar de
amar Blair e ser minha personagem preferida, de boba e inocente, ela não tinha
nada. A rainha do “Upper East Side”, colégio em que eles estudam, era cruel.
Ela não tinha o menor pudor em passar por cima de quem fosse para conseguir o
que queria. A garota era a protagonista da própria vida e qualquer um que se
metesse em seu caminho não tinha a menor chance de sair ileso. Qualquer um
mesmo.
Acho que o objetivo da série na real era
exatamente mostrar esse comportamento desviado de quem acha que tem o mundo no
bolso por causa do dinheiro. Eles podiam comprar o que quisessem e, se você não
tem uma índole muito forte, fica muito propício a isso nesse mundo. O dinheiro
e o poder mostram o lado mau caráter das pessoas e isso ficou claro em todos os
personagens. Eu disse todos, sem exceção.
Personagens problemáticos, relacionamentos
piores ainda, dinheiro visto do pior viés, armações e esquemas, fofoca em cima
de fofoca, entretanto, ainda assim, uma trama incrível para ser assistida, de
ser lembrada e homenageada. A verdade é que “Gossip Girl” é bem conturbada, mas
como a assinatura do blog sempre dizia, não tem como negar: “You know love me”.
E acho que a gente sempre vai amar. Aliás, que tal uma maraton para comemorar
esses 11 anos do blog mais ardiloso do Upper East Side? XOXO
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