As malvas favoritas
Odete Roitman. Nazaré Tedesco. Laura
Prudente da Costa. Bia Falcão. Maria de Fátima. Maria Altiva Pedreira de
Mendonça e Albuquerque. Pérpetua. Nice. Flora. Leona. Clara. Cristina. Olga.
Bárbara. Raquel. Atena. Carminha. O que todas elas têm em comum, além de serem
personagens de novelas? São todas vilãs.
As telenovelas precisam dessas
personagens, ainda mais que elas são tão marcantes. Afinal, Odete Roitman (Vale
Tudo) despediu-se do ar há 28 anos e, muita gente, que nem era nascida na
época, em algum momento se deparou com o nome da antagonista. Naza, com
certeza, é a rainha da internet. A malvada de “Senhora do Destino” sempre é o
assunto mais comentado quando a novela está no ar, seja na primeira exibição ou
numa reprise do “Vale a Pena Ver de Novo” e, ainda, é a rainha dos memes da web. O público manteve olhos
atentos aos atos maquiavélicos de Leona (Cobras e Lagartos), Cristina (Alma
Gêmea), Laura (Celebridade) e Carminha (Avenida Brasil), considerando as personagens
bem mais interessantes que as mocinhas. E qual seria a explicação para isso? A
vilã atrai atenção porque é desajustada, prática a imposição, contra a cobrança
da mulher ser recatada, como pede a sociedade. Ela provoca um encantamento. E
por que falo disso? Porque “Segundo Sol”, que está no ar desde 14 de maio, uma novela
do horário nobre, tem dado uma decaída em seus assuntos e tramas. Mas o que
continua interessante nela? Suas vilãs. Deborah Secco, que está muito bem
diga-se de passagem, vive Karola. Uma dessas malvadas capazes de tudo para ter
o que querem ao ponto de separar o casal principal com muitas mentiras e roubar
um bebê recém-nascido (não é spoiler, visto que a cena já passou). E Adriana
Esteves, mais uma vez, vive muito bem uma vilã, daquelas maquiavélica e
engraçada, ela é Laureta. As duas, que até então eram amigas, agora entraram na
onda dos embates e brigas e tem rendido boas cenas. As únicas que prestam nos
capítulos, talvez.
O fato é que, sem uma dose de
maldade, os folhetins não teriam graça. Em suma maioria, são os personagens
maus que movimentam a trama, colocam em discussão questões como: em quem
confiar e os caminhos entre a justiça e vingança, como Atena (A Regra do Jogo).
Outro ponto a favor da anti-heroína, é o lado cômico, grande exemplo disso é
Chayene (Cheias de Charme) e as próprias Laureta e Karola, da trama de João
Emanuel Carneiro. O humor tira o peso e, assim, a vilã fica mais próxima,
porque a gente não a leva pela maldade, mas, sim, por sua insanidade e defeito.
Suas maldades são repletas de bom humor e sensualidade. Com isso, tem ainda, a
maneira de falar, ou seja, o bordão de uma vilã vira marca registrada. “Ôxente,
mai Gódi”, como diria Maria Altiva (A Indomada), ganhou as ruas.
O que tem acontecido, também, é que
as antagonistas estão sendo bem construídas, sendo um ponto fundamental para
estarem adequadas à história, assim vemos todas roubando a cena. Entretanto,
além de tudo isso, uma grande observação para o sucesso das vilãs, é o quanto
as personagens são reais. Elas são figuras que encontramos na vida, é isso que
o público quer cada vez mais ver. Tanto que, muitas das vezes, as antagonistas
possuem um ponto fraco. Na trama de Aguinaldo Silva, por exemplo, o amor da
Nazaré por Lindalva/Isabel é totalmente real, ela é capaz de qualquer maldade
pela “filha”. Karola ama Beto, mas também precisa de dinheiro para viver, então
mente. E ela ama Valentim, o filho que roubou de Luzia. Isso, por um ponto de
vista, acrescenta contrastes a elas. Não há como negar que a trama de uma
novela realmente fica muito melhor quando existe uma vilã daquelas, portanto
que venham mais personagens que fazem tudo por seu objetivo, sem medir
esforços.
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