Crítica – Manu Pocket Show
Ela foi descoberta na época do auge da “Capricho”. Os
adolescentes que eram loucos pela revista, e não tinham as redes sociais como
atrativo, tiveram como trilha sonora as músicas “Garoto Errado” e “Planos
Impossíveis”. Estou falando de Manu Gavassi, que assim como o mundo, evoluiu
aos nossos olhos e acaba de colocar na estrada um novo formato de show.
Manu sempre
foi muito romântica em suas letras, mas depois de dois álbuns bem no estilo
pop, ou meloso para os mais crescidos, digamos assim, ela apostou num estilo
com mais batidas eletrônicas, que foi a era do EP “Vício”, lançado em 2015.
Assim nascia uma nova Manu Gavassi, mais segura de si e pronta para falar desse
amor, de forma mais adulta e sensual. O que foi visto mais forte ainda no
último álbum dela, que vem a ser o terceiro completo, lançado em 2017.
A jovem
agora de 25 anos começou o projeto intitulado “Manu Pocket Show”, que teve sua
estreia ontem no Rio de Janeiro. Gavassi decidiu fazer um revival da sua
carreira, no formato voz e violão, e contando um pouco das histórias por trás
das letras compostas. Ou seja, fazendo bem a linha terapêutica, ela abre o
coração, enquanto canta e é acompanhada por Guilherme Holanda, nos acordes do
tal violão. Entre gritos apaixonados e lágrimas de
uma plateia teen, surge Manu Gavassi cantando uma de suas composições mais maduras,
que é “Aqui estamos nós”, em que faz um desabafo crítico dos relacionamentos
atuais, que contém frieza, sentimentos momentâneos e inseguros, lembrando que
“nós somos a geração da solidão”. E ela segue com “23” e “Antes do Fim”.
Falando em abrir o coração, Manu
falou das letras, e tempos, em que se diminua por conta do amor do outro. Em
versos como “eu sei amar você, muito mais que eu sei cantar”, em “Vício” e “eu
me contento com o pouco que você me dá”, na canção “Meio Sorriso”. Ela deixou
claro que hoje está bem mais resolvida e cheia de amor próprio. Pisa menos! A
cantora vai falando dos amores, relacionamentos e devaneios, que inspiram suas
composições, como a canção “Suspiros”, em que disse que compôs depois de ver um
menino lindo no Orkut, e que nunca conheceu pessoalmente, mas a deixou suspirando
por alguns dias. Manoela contou também que, se fosse hoje, jamais iria compor
“Farsa”, pois não consegue mais ter essa ira vingativa que a pegou tempos
atrás, quando as relações não davam certo. Em contrapartida, ela colocou no
setlist do show a música “O Fim”, que faz parte do seu segundo disco, “Clichê
Adolescente”, e disse que ainda é uma letra muito atual em sua vida e que com
toda certeza, poderia escrever a mesma nos dias de hoje, pois se tem que, mais
do que nunca, ela sabe, é que existe vida após o fim. Mas se ela não tem
orgulho de ter escrito “Farsa”, o contrário acontece com “Caminho de Volta”,
que ela disse que fez quando o ex-namorado “rebelde” ia sair em uma turnê e
ela, bem romântica, quis desejar que tudo ocorresse bem e deixando claro que
estaria sempre esperando por ele. Manu disse que ter composto, sobre o que
sentia naquele momento, que era tão verdadeiro, lhe faz bem.
Manu Gavassi ainda canta “Quatro
notas”, que foi a primeira composição que fez na vida, “Segredo”, “Cicatriz”, “Eu
me proíbo” e algumas outras. E claro que as músicas citadas, da era Capricho, e
que uma delas – “Planos Impossíveis” - foi composta justamente para um
ex-colírio, estão presentes no repertório. A apresentação, que é ótima para
aqueles que não a julgam mais como uma cantora de voz infanto-juvenil chata e
que compõe mais do mesmo, dura uma hora e vale muito a pena. Os próximos shows
são em Salvador (20/12), Recife (21/12) e Brasília (22/12).
Comentários
Postar um comentário