A turnê “Lobos”, do cantor Jão, passa pelo Rio de Janeiro
Faz dois meses, que a nova sensação do pop na
internet, Jão lançou seu álbum intitulado “Lobos”. Com músicas reflexivas e
boas de ouvir, que não saem do meu repeat, durante todo esse tempo. Até que,
como toda pessoa que fica viciado em um disco, fui para o show da turnê com a
expectativa lá em cima. E que bom que elas foram atendidas com sucesso. Quando
Jão surge na sombra do palco gritando os versos “Porra, a gente se ama e isso
lindo demais” (da música “Lindo Demais”), as luzes se acende e a plateia
delira, cantando todos em um uníssono. Até porque seu público, formado por
maioria LGBT, enxergam-se nos versos da canção “o seu pai me odeia e o mundo odeia o nosso amor. Te
ver na madrugada tem um gostinho de pavor”. Em tempos em que a homofobia
tristemente se faz presente, por que não pensar que Jão está se referindo a um
amor tão marginalizado?
E assim, ele vai cantando suas canções, como
“Ainda te amo” e “Me beija com raiva”, que são desabafos de amores, confusões, frustações,
paixões impulsivas e decepções que cometemos durante a juventude, da qual Jão
faz parte. E por isso é comum ver o público cantando de olhos fechados, com
mãos no peito e numa entrega, sentindo totalmente os trechos cantados. E como
fenômeno que surgiu na web fazendo covers, eles têm vez no setlist com “Você não me ensinou a te
esquecer”, numa belíssima interpretação por sinal, do Caetano Veloso, “Codinome
Beija-Flor” de Cazuza e ainda, da diva pop Beyoncé, com “Crazy in love”, outra
grata surpresa ouvida em sua voz. Suas primeiras músicas autorais “Dança pra
mim”, “Álcool” e “Ressaca” também são tem vez durante a apresentação, que dura
uma hora. Até a hora que o músico do interior canta o sucesso, lançado no
início do ano, e o projetou com um público bem maior, que inclui a mim,
“Imaturo” numa ótima versão, que assim agrada até aos que já estavam cansados
de ouvir a música bastante tocada por aí. Um dos momentos mais lindos é quando
ele canta “Monstros”, faixa que fecha o álbum e mostra de maneira linda, um processo de amadurecimento, que envolve
o medo de arriscar e de trocar aquilo que já se conhece por algo novo. A
insegurança pode bater, mas a mensagem aqui é a de esperança: ninguém evolui se
ficar no mesmo lugar.
E num momento onde artistas investem em shows
cheios de magia, cenários gigantescos e até acrobacias nos palcos, Jão mostra
que há jovens capazes de arriscar, trazendo um palco cru e intimista, e
conquistando sim seu espaço e povo. A canção que abre o disco “Vou morrer
sozinho”, e encerra o show, até deixa claro que se tem um problema que Jão
nunca mais vai enfrentar é a solidão. Duas mil vozes cantavam com ele “Ai, meu
Deus, eu vou morrer sozinho”. Ele já sabe que pode correr “com meus lobos”,
trecho do título do álbum e turnê, pois formou a sua alcateia. Os próximos
shows são em: Curitiba (PR), Uberlândia (MG), Belém (PA), Manaus (AM), Recife
(PE), Porto Alegre (RS) e Campinas (SP).
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