1977 – 2017: Entre rosas e lutas, respeitem as minas


           Alguns homens que postaram mensagens de parabéns e ofereceram flores, físicas ou virtuais, a suas esposas, amigas, conhecidas, parentes e afins, são os mesmos que dizem que elas estão de “mimimi” quando falam em feminismo, são aqueles reclamam que a saia está curta ou criticam a mulher que diz “goza na minha boca”.
            É mais um 08 de março em que a mulher não tem o que comemorar. Pelo contrário, elas têm que exigir ainda mais direitos. Só ter direito ao voto não é suficiente. A cada onze minutos, uma mulher é estuprada no Brasil. A cada cinco minutos, uma mulher é agredida no Brasil. A cada duas horas, uma mulher é morta no Brasil. Os dados são de 2015, mas sejamos realistas, se mudou alguma coisa, mudou muita pouca coisa. Quiçá mudou até para pior, infelizmente. O (ex) goleiro Bruno que não quis pagar pensão, sequestrou, matou e esquartejou uma mulher e foi solto. Ou seja, o que comemorar no Dia Internacional da Mulher esse ano? Frases lindas, rosas vermelhas, amarelas ou brancas, não servem para nada, se a figura feminina não for respeitada. Sou grande admirador das mulheres. Sandy, Ivete Sangalo, minha avó, Marisa Monte, Taís Araújo, Maria Ribeiro, amigas que fiz pela vida, Rita Lee, Luana Piovani, minha melhor amiga, Maria Célia, melhor professora de português que tive, minha mãe, Clarice Lispector, a cobradora do ônibus, a Pitty, Karol Conka. São tantas mulheres incríveis que provam que não foram apenas educadas para cuidar e servir. Ser objeto? Ser do lar? Jamais! Recatada? Muito menos, por favor. A mulher é alguém também. Chega do discurso machista que ouvimos por aí. Ouviu senhor presidente.
            As mulheres não precisam nem de parabéns, dito por obrigação. Não precisam de descontos em lojas, de ganhar chocolate do chefe e muito menos de serem vistas como especiais e maravilhosas, nesse dia. Foi um dia de luta, foi uma greve. Foi um suplício de direitos. E o pior é pensar que quase nada mudou. O que nossas damas precisam é de salários iguais, de serem representadas e respeitadas, de menos julgamento e nenhuma violência. Elas querem é não precisar mais lutar para ter igualdade. Elas querem sim ser amadas, serem felizes, mas o que elas mais precisam é de um lugar onde o feminismo não seja mais necessário. E aí sim, elas serão ainda muito mais macho que muitos homens.


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